quinta-feira, 7 de junho de 2007

Cine Zé Sozinho

Um retrato do amor ao cinema, na Mostra de Curtas 35mm do Mercosul

Zé Sozinho é um ex-lavrador que dedicou sua vida a exibir filmes em cidadezinhas do sul do Ceará. Durante anos, Zé carregou seu projetor 16mm e suas latas de filmes pelo interior, montando seu cinema ambulante e projetando clássicos da Cinédia e da Atlântida e títulos internacionais de aventura, faroeste e bíblicos.

Ao mesmo tempo esperto e ingênuo, Zé Sozinho fazia proezas inesperadas, como editar um filme sobre a Paixão de Cristo com cenas de filmes de faroeste, para saciar a vontade por aventura do público de uma determinada cidade.

Apesar da estrutura precária de seus equipamentos, e da falta de filmes para projeção que o fim da Embrafilme acarretou, Zé Sozinho cumpria, com abnegada paixão, a missão de levar cultura e diversão para localidades que nunca tinham visto uma tela de cinema.

Em 2001, o diretor Adriano Lima encontrou seu personagem pela primeira vez e deu início à pesquisa que resultou em Cine Zé Sozinho, documentário que será apresentado na sessão desta quinta, dia 06, na Mostra de Curtas 35mm do Mercosul, em estréia nacional. Desde então Lima acompanha a vida difícil de Zé Sozinho e sua luta para continuar levando em frente sua vocação de exibidor.

Até pouco tempo atrás, Zé Sozinho catava alumínio para vender e morava num corredor minúsculo repleto de latas de negativo em deterioração e fitas VHS. Perdera a casa em que morava antes numa negociação com um pastor inescrupuloso e sonhava conhecer pessoalmente José Mojica Marins.

Em 2003, o Cine Ceará homenageou Zé Sozinho, presenteando-o com um projetor digital. E o Banco do Nordeste ofereceu-lhe equipamentos para projeção e montagem de uma sala de cinema. Além disso, a Prefeitura de Caririaçu lhe concede hoje uma ajuda de custo mensal, para que ele continue exibindo filmes. E ele já tem fotos em que aparece abraçado a Zé do Caixão.

Humilde, Zé Sozinho não sabia que podia comer de graça durante o Cine Ceará e preferiu trocar sua passagem aérea por dinheiro para ajudar sua família.

Cine Zé Sozinho é a história de um homem simples apaixonado por cinema, um símbolo da paixão e dedicação ao cinema que, para Zé Sozinho, é mais forte do que todas as dificuldades.

O cineasta Adriano Lima é também o coordenador do Curta Canoa, um evento que reúne curtas-metragens latino-americanos em Canoa Quebrada, no Ceará, e que vem se consolidando no circuito brasileiro de festivais. As inscrições para o Curta Canoa desse ano estão abertas no www.curtacanoa.com.br

O diretor Adriano Lima é o coordenador do Curta Canoa


Cine Zé Sozinho, de Adriano Lima
Mostra de Curtas 35mm do Mercosul
Teatro Ademir Rosa, no CIC
dia 07 de junho
19:30h

Atabaques Nzinga

Um panorama sobre a música afro-brasileira, através de diversos ritmos e grupos na Mostra Extra-FAM

Atabaques Nzinga é uma homenagem à rainha de Matanda (antiga Angola), Nzinga N’Bandi. Portanto, é um filme etnográfico de alma feminina. Mas não há aqui uma preocupação em contar propriamente uma história. Com muita simplicidade, o fiapo de linha narrativa acompanha a partida de Nzinga (Taís Campos), uma garota órfã que sai de Cachoeira, no norte da Bahia, em busca de suas raízes ancestrais. Localizada no norte da Bahia, às margens do Rio Paraguaçu, a cidade é lugar sagrado para os adeptos do candomblé. Foi de lá que se ouviu o som dos atabaques que anunciaram a chegada dos negros ao Brasil.

Aconselhada por uma mãe de santo (Léa Garcia), Nzinga parte para Salvador e Rio de Janeiro, onde, nesta cidade, depois de um pequeno entrevero num hotel, ela irá conhecer as rodas-de-samba. A música, na verdade, é a condutora da narrativa de Atabaques Nzinga, que dá ao filme um formato híbrido entre ficção e realidade. De certa maneira, o que assistimos é um musical sobre as raízes da cultura brasileira, tendo como destino os três pontos negreiros do País, a Bahia, o Rio de Janeiro e Pernambuco.

As manifestações da cultura negra no Estado tomam boa parte de Atabaques Nzinga, com as partições do Balé Afro Majê Molê e Bacanaré e da cirandeira Lia de Itamaracá. Com a sensível costura sonora tecida por Naná Vasconcelos, o filme ganha em organicidade em toda sua extensão.


Atabaques Nzinga, de Octávio Bezerra
Mostra Extra-FAM
Teatro Ademir Rosa, no CIC
dia 07 de junho
14:00 h

Brichos animam a garotada

Brichos, o longa de animação infantil que encerrou a Mostra Infanto-Juvenil do FAM 2007

Veja o trailer:



Brichos, de Paulo Munhoz
Mostra Infanto-Juvenil
Teatro Ademir Rosa, no CIC
dia 07 de junho
10:00h.

quarta-feira, 6 de junho de 2007

FAM 2007 antecipa lançamento de Não Por Acaso

Esperado longa de Philippe Barcinski é a atração de hoje do festival, um dia antes de estrear nos cinemas de todo o Brasil

Letícia Sabatella e o diretor Philippe Barcinski estarão presentes na sessão de hoje


A estréia de Barcinski como diretor de longa-metragem conta duas histórias de personagens aparentemente distintos que se encontram após um acidente envolvendo suas mulheres. A partir daí, dois homens antes acostumados a uma vida programada vêem suas rotinas tomarem um rumo inesperado.

Ênio (Leonardo Medeiros) é engenheiro de trânsito e trabalha como monitor do fluxo de carros na cidade de São Paulo. Sua mania de controle ultrapassa o ambiente ocupacional – sua rotina pessoal é extremamente programada. Assim também vive Pedro (Rodrigo Santoro), marceneiro especializado em mesas de bilhar. A necessidade de controle sobre as bolas de sinuca se reflete em sua vida.

Suas rotinas se encontram quando a ex-mulher de Ênio, Mônica (Graziella Moretto) atropela Teresa (Branca Messina), namorada de Pedro. Ambas morrem no acidente. Ênio então, tenta finalmente conhecer a filha que teve com Mônica, Bia (Rita Batata), mas os dois têm dificuldades de relacionamento. Já Pedro se vê forçado a visitar o antigo apartamento de Teresa, onde conhece Lúcia (Letícia Sabatella), a nova inquilina.

Após realizar cinco curtas-metragens que juntos somaram mais de 40 prêmios em festivais como Chicago, São Francisco e México, a estréia de Barcinski na produção de longas-metragens já contabiliza quatro prêmios no Festival do Audiovisual de Recife, em abril, na sua primeira exibição pública. Não Por Acaso será exibido no FAM no dia 6 de junho e, logo no dia seguinte, estréia nas salas de cinema de todo o Brasil.



Não Por Acaso, de Philippe Barcinski
Mostra de Longas Mercosul
Teatro Ademir Rosa, no CIC
dia 06
21:00h
Entrada franca

Philippe Barcinski e Letícia Sabatella no FAM

A noite é de Não Por Acaso, o primeiro longa de Philippe Barcinski. O diretor e a atriz Letícia Sabatella estiveram durante a tarde no CIC, concedendo entrevistas à imprensa. O clima de premiére foi intenso, todos queriam um minuto com os dois artistas, mesmo assim cineasta e estrela falaram com a equipe de imprensa do FAM.

Letícia iluminando o FAM 2007


O bacana é estar num Festival com pessoas jovens, são pessoas que estão de alguma forma querendo revolucionar alguma coisa. A fim de transformar algo. Letícia Sabatella


O diretor e a atriz falam à imprensa


Leia a entrevista completa no site do FAM

Noite de diversidade nos curtas

A noite de ontem na Mostra de Curtas 35 mm do Mercosul mostrou um pouco da diversidade da produção brasileira no formato


Pixinguinha e a Velha Guarda do Samba, documentário de Thomas Farkas e Ricardo Dias mostrou imagens impressionantes e raríssimas do gênio Pixinguinha e seu regional em performance filmada por Farkas em 1954.

Alguma Coisa Assim, de Esmir Filho (o responsável pelo fenômeno da internet Tapa na Pantera), é um retrato ágil e moderno da juventude e suas dúvidas.

O Lobinho Nunca Mente, de Ian SBF revela um humor negríssimo para falar da morte.

Outono, de Pablo Lobato, fala da solidão contando a história de três personagens que habitam uma mesma casa sem jamais se encontrarem.
O diretor Giacomini em entrevista para o site do FAM

A animação Leonel Pé-de-Vento , de Jair Giacomini, foi o curta que abriu a sessão. O filme está participando também da Mostra Infanto-Juvenil e conquistou a audiência adulta com a história cativante do menino Leonel, que vivia a 5 metros do chão. O diretor Giacomini concedeu uma entrevista à equipe de imprensa do FAM, onde fala sobre a produção do curta, público adulto e infantil e sobre a animação brasileira. Confira no site do FAM.

As murgas de Obdulio

A Dios Momo emocionou o Teatro Ademir Rosa

Na noite do dia 05, terça-feira, o público mais uma vez lotou o Teatro Ademir Rosa para assistir a história de Obdulio, o menino analfabeto que vende jornais nas ruas de Montevideo e encontra, durante o carnaval, uma possibilidade de sobrevivência através das palavras. Aprendendo com um vigia noturno murguista as letras das canções uruguaias de carnaval, o mundo de Obdulio se transforma e se abre para a alegria e a beleza. Depois da sessão emocionante, o representante de A Dios Momo, Julio Sanchez, conversou com a equipe de imprensa do FAM sobre a produção do filme, murgas e sobre a exibição em Florianópolis no FAM.

Levo a mais grata das impressões. Porque as salas cheias indicam que a coisa está bem feita. Indicam que uma força potente está atrás disso. Porque há uma juventude no público, coisa que é pouco comum. É uma força enorme. É muito importante o que vocês estão fazendo. O apoio do público é o que vocês ganharam de melhor. Quando vejo um bom espetáculo, sei que por trás desse espetáculo houve um bom trabalho. E aqui há bom trabalho, e boas pessoas.

Leia a entrevista completa no site do FAM