terça-feira, 5 de junho de 2007

A Dios Momo, uma fábula sobre a educação

Leonardo Ricagni usa a atmosfera do carnaval para transportar o espectador a um lugar mágico onde realismo e surrealismo se misturam


O filme A Dios Momo aborda as desventuras do garoto Obdulio (Mathias Acuña), um vendedor de jornais analfabeto que vive com a avó (Carmen Abella), uma beata que passa os dias orando e guardando suas economias para comprar uniformes escolares para suas netas.

Numa noite de carnaval, Obdulio se depara com uma misteriosa figura: um vigia noturno que se tornará seu mentor e lhe abrirá a janela à educação e o guiará em direção ao verdadeiro significado da vida, ensinando-o as letras dos blocos carnavalescos durante o reinado do Deus Momo.

Com A Dios Momo, Ricagni define com maestria sua notória admiração por Federico Fellini e Emir Kusturica, ao mesclar sonho e realidade. Ao definir um traço para seus personagens, a partir de nomes que têm um poder simbólico muito forte e de uma direção de arte igualmente expressiva, Ricagni constrói criaturas extremamente fantasiosas.

A Dios Momo, de Leonardo Ricagni
Mostra de Longas Mercosul
Teatro Ademir Rosa, no CIC
dia 05
21h.

Tião

...o cara da produção!

Sebastião Braga entrou no curso de Cinema e Vídeo da Unisul em 2002. Já em 2003 começou a estagiar no mercado profissional e se identificou com a função de produtor. Foi produtor de vários trabalhos audiovisuais e, associado à produtora Ana Fonte, já realizou trabalhos publicitários internacionais.
Gosta mesmo é de cinema: cita os trabalhos em Um Tiro na Asa, de Maria Emília Azevedo e a direção de produção de Árvore Solitária, filme de Letícia Friedrich que está na programação do FAM 2007, como produções marcantes. Neste ano rodou seu primeiro trabalho como diretor: A Caminho.

Há três anos o Tião trabalha no FAM, fazendo a produção geral do evento, dividindo as responsabilidades com outros quatro produtores. Responsabilidades muitas: cuida dos espaços, dos contatos com patrocinadores, colaboradores e apoiadores, e da seleção da equipe.

Para ele o FAM é o mais importante evento político do cinema no Brasil. Florianópolis é um lugar geograficamente estratégico para os projetos de cooperação entre os países do Mercosul e os convidados respeitam o viés político do evento, que dá a cara do FAM. O que se discute nos Fóruns e no dia-a-dia do festival repercute no cenário cinematográfico do Mercosul, originando co-produções e planejamento de novas estratégias políticas.

Bom trabalho Tião!

Estande da Cinemateca divulga filmes catarinenses

A simpatia de Lina em exposição


A Cinemateca Catarinense está presente, diariamente, no 11º FAM. Na sala Lindolf Bell, a simpática secretária Lina Lavoratti, atende o público que comparece no Centro Integrado de Cultura (CIC). Além do trabalho normal da Cinemateca, o estande está cadastrando novos associados, atendendo solicitações de reservas de equipamentos como luz e maquinária, câmeras mini DV e 35mm e ilha de edição. Para associados, o valor da locação é de 10% do custo de mercado.

O espaço divulga ainda filmes catarinenses e vende fitas VHS e DVD. Além disso, dispõe o espaço para os produtores que querem vender materiais e audiovisuais, sem cobrar nada. O horário de funcionamento do estande é das 13h30 às 20h30.


A cinemateca também vai colaborar com a premiação do melhor vídeo catarinense e lança, nesta quarta-feira, às 19h30, o edital do prêmio Cinemateca catarinense, em parceria com a Fundação Catarinense de Cultura.

Douglas Vianna

Todo mundo no FAM conhece o Douglas. Não apenas porque ele é um cara carismático, ou porque ele é um dos mais respeitados técnicos de som direto e microfonistas de Santa Catarina, mas também porque há 07 anos ele é uma das peças fundamentais do Florianópolis Audiovisual Mercosul.

Nesses anos todos de FAM, ele viu o crescimento da estrutura do evento e do público, que comparece nas Mostras e debates. Hoje ele ocupa a função de Coordenador das Mostras. Começa a trabalhar muito antes do início do festival, selecionando curtas e vídeos, recebendo e enviando materiais dos filmes, repassando informações sobre eles para a imprensa e a secretaria, além de produzir toda a logística delicada que envolve as projeções.

Sobre o FAM desse ano, Douglas aponta a qualidade dos filmes, a presença bombástica do público e a relevância cada vez maior dos debates do Fórum. A única ressalva é a pouca presença dos colegas da classe cinematográfica do Estado nos painéis de discussão. Ele acha que a galera tem que se ligar mais.

Tanto trabalho e tantas responsabilidades não impedem que o cara tenha sempre um sorriso no rosto e ande pelo CIC distribuindo alegria. O Douglas é o cara!

Lurdinha vive

Documentário de César Cavalcanti fez sua primeira exibição pública no FAM 2007

Márcia Konder incorporou Lurdinha no documentário de César Cavalcanti

A história do documentário Lurdinha, a vendedora de ilusões, começou em 1998, quando César Cavalcanti trabalhava na produção de Novembrada, filme de Eduardo Paredes. Durante as filmagens, ele e sua companheira Janete, avistaram a atriz Márcia Konder caracterizada como a vendedora de loterias Lurdinha, e espantaram-se com a semelhança entre atriz e personagem. Estava lançada a idéia do documentário.


Depois de uma carreira marcada por trabalhos em grandes produções como Kuarup e A Ópera do Malandro, longas de Ruy Guerra, Cavalcanti decidiu tornar Lurdinha seu primeiro trabalho autoral. A produção começou em 2001 e ainda hoje, depois do filme pronto, Cavalcanti ainda busca patrocínios para finalizar a pós-produção do documentário, que estreou no FAM 2007.

Cavalcanti resolveu inovar ao mesclar os elementos do documentário tradicional no formato de seu filme. A personagem interpretada por Márcia Konder reaparece viva nas memórias dos participantes do documentário, que relembram a figura inesquecível da vendedora ambulante de loterias, que caminhava pelo centro da cidade tratando a todos com enorme respeito.

Uma figura adorada pelos ilhéus, parte do imaginário da cidade, que teve uma morte trágica.

Mas, no documentário de Cavalcanti, o final de Lurdinha é poético e emocionante, merecendo aplausos em cena aberta na sua exibição no FAM no último sábado, dia 02, na Mostra Competitiva de Vídeos do Mercosul.

Para César Cavalcanti, o cinema catarinense evoluiu muito nos últimos anos graças ao esforço de todos os realizadores e também à contribuição do Florianópolis Audiovisual Mercosul. Para que a cinematografia catarinense realmente se desenvolva basta que as autoridades responsáveis pela cultura em nosso estado olhem para os realizadores e para eventos da importância do FAM com a merecida consideração.

segunda-feira, 4 de junho de 2007

DETRÁS DEL SOL, MÁS CIELO

A vida na fronteira e suas limitações são desnudadas em Detrás del Sol, Más Cielo, na Mostra de Longas Mercosul


Detrás del Sol, Más Cielo: a identidade fronteiriça

O longa Detrás del Sol, Más Cielo se passa na Província de Misiones, ao Norte da Argentina, uma região de muitas belezas, porém muito pobre, onde argentinos e paraguaios não conhecem as divisões territoriais. É nesta área seriamente empobrecida, onde as necessidades fazem com que os limites da dignidade sejam ultrapassados todos os dias, que o diretor Gastón Gulart cria uma ficção crua marcada por um sonho de adolescentes apaixonados.

Antônio, um jovem de 17 anos, deseja sair da miséria em que vive com sua mãe, lavradora de uma plantação de erva mate. Convencido de que sua sorte vai mudar ao encontrar o pai, que vive em Assunção, no Paraguai, sonha em reencontrá-lo com a ajuda do amigo Pablo. Os dois tentam de tudo, mas o dinheiro não chega. O contrabando se torna uma tentadora opção.
Gastón Gularte mostra em o encontro entre filhos de uma mesma terra. Unidos e separados pelo rio e sua dinâmica, juntos e divididos pelo destino, transitando pelo mesmo tempo, mesmo céu e mesmo sol.

Detrás del Sol, Más Cielo resgata a identidade desta geografia fronteiriça, onde os povos se irmanam no cotidiano, com os códigos próprios do contrabando, o encontro noturno e sua música, a briga de galos e sua simbologia, a religiosidade popular e o trabalho como forma de subsistência e as vezes de dependência.

Pela primeira vez se exibirá a realidade misionera do novo século: Desde o começo do projeto pensamos que resgatar a região é indispensável para começar a fortalecer um cinema a partir dos sentimentos daqueles que compartilham uma realidade comum, uma visão integrada, comenta o diretor. Ao que acrescenta que para conseguir isso, viajaram ao Paraguai e com a convicção de gerar passos conjuntos se aproximaram de produtores que compartilharam o mesmo objetivo.

Detrás del Sol, Más Cielo é uma co-produção Argentina e Paraguai com a participação de atores e técnicos de Misiones, Buenos Aires, Asunción e Encarnácion.



Detrás del Sol, Más Cielo (Argentina-Paraguai, 2007)
Mostra de Longas Mercosul

Teatro Ademir Rosa, no CIC
Segunda, 21H

Nóis Trupica mas não cai

Um Dia Um Circo é um documentário do cineasta carioca Marcelo Laffitte, com estréia nacional amanhã, dia 05, na Mostra Extra-FAM


Em 2005, Marcelo Laffitte acompanhou um dia no cotidiano do Circo Trapézio, uma pequena e tradicional companhia mambembe que apresenta seus espetáculos na periferia do Rio de Janeiro.

Seguindo a tradição das famílias de circo, os Cericola vivem e trabalham juntos, dividindo as dificuldades da vida nômade e as alegrias e emoções do universo mágico do circo.

Nos 56 minutos do documentário, Laffitte explora o cotidiano da trupe circense, a mudança de praça (como os artistas de circo chamam o local onde erguem a lona) e os ensaios para o espetáculo. Ao mesmo tempo mostra o processo característico de transmissão de conhecimento ao acompanhar o treinamento das crianças do circo, que assumirão no futuro a tradição familiar.

Quando a noite chega, as cores do circo tomam conta da tela, mostrando o espetáculo do circo da família Cericola e seus números tradicionais de malabarismo, acrobacia, mágica e palhaçadas, que estabelecem uma comunicação direta e sensível com o público.

Laffitte estabelece um delicado retrato da vida dos artistas de circo e evidencia a paixão que, apesar de todas as dificuldades, move a família Cericola em seu ofício encantador.


Leia a entrevista com o cineasta Marcelo Laffitte no site do FAM


Mostra Extra-FAM
Teatro Ademir Rosa, no CIC
Dia 05 de junho
10:00h
ENTRADA FRANCA