segunda-feira, 4 de junho de 2007

A gurizada vai ao cinema.

Crianças da rede pública têm sessões animadas no FAM 2007


Pais, filhos e público em geral acompanharam as primeiras sessões da Mostra Competitiva Infanto-Juvenil do 11º FAM, durante o fim de semana. A partir de hoje, as sessões para crianças começaram a receber a presença de mais de três mil alunos de escolas públicas e particulares da Grande Florianópolis em sessões voltadas a crianças de 5 e 12 anos, no Teatro Ademir Rosa.

A mostra conta com 10 produções de menor duração de Santa Catarina, Rio de Janeiro, Goiás, Espírito Santo, Bahia, Pernambuco e Rio Grande do Sul. São seis animações e quatro ficções. O prêmio para o melhor filme infanto-juvenil escolhido pelo júri será entregue no dia 8 de junho, às 20h30, juntamente com os prêmios das mostras de vídeos e curtas, no encerramento do evento.

A última exibição, no feriado de quinta-feira, dia 7, será dedicada ao longa de animação paranaense Brichos, de Paulo Munhoz, fora de competição.As primeiras exibições da Mostra Infanto-Juvenil do FAM 2007 ocorreram no sábado e domingo, com sessões abertas a pais, filhos e público em geral.

Fique atento às próximas sessões da Mostra Infanto-Juvenil do FAM 2007


Dia 5/6 (terça-feira) – 9 horas
Dia 6/6 (quarta-feira) – 9 horas e 14 horas

A Lenda do Brilho da Lua - Gabriela Dreher – 2’41” – Animação - SC
14 Bis - Guilherme Mendonça – 4’ – Animação - GO
Um lugar chamado Quitungo (Convidado) - Alunos da rede Pública de ensino – 3’50” – Animação - RJ
O Jumento Santo e a Cidade que se acabou antes de começar - William Paiva e Leonardo D. – 11’ –Animação - PE
Um Plano-Sequência sobre o Racismo - Alunos da rede pública – 6’– Ficção - RJ
Mr. Lucky Navio Pirata - Rodrigo Santos – 1’20” – Animação – SP
Leonel Pé-de-Vento - Jair Giacomini – 15’ – RS
Albertinho - 150 alunos da rede pública municipal de ensino – 12’- Animação – ES
Por Causa do Papai Noel - Mara Salla – 14’57” – Ficção - SC
Piruetas - Haroldo Borges – 14’58” – Ficção - BA
Duração total: 1h25’

Dia 7/6 (feriado de quinta-feira – 10 horas)

Brichos – Paulo Munhoz – Animação – 77’ – PR - (35mm)

Agora! Acompanhe on-line o Fórum Audiovisual do Mercosul

Assista em seu computador a transmissão simultânea, em broadcast, do terceiro painel do Fórum:


Crítica de cinema na internet

O segundo painel do Fórum Audiovisual do Mercosul, Crítica Especializada na Internet, reuniu especialistas da área que discutiram as características e os caminhos da crítica de cinema nos meios eletrônicos.


Ruy Gardnier, editor da revista eletrônica Contracampo, Cléber Eduardo, editor da Revista Cinética, Ricardo Calil – crítico do site No Mínimo e José Geraldo Couto, crítico da Folha de São Paulo, reuniram-se na mesa de discussão sobre “Crítica Especializada na Internet”, promovida pelo 11° FAM, nesta tarde de domingo, dia 03, no Centro Integrado de Cultura.

Leia a matéria completa no site do FAM

domingo, 3 de junho de 2007

Play embala a terceira noite do FAM

O filme PLAY, da diretora chilena Alicia Scherson, é destaque na Mostra de Longas

PLAY lança um olhar agridoce sobre as relações humanas

A enfermeira Cristina, uma recatada e solitária jovem do interior, adapta-se à vida da cidade enquanto trata de um velho húngaro doente, tendo como únicos momentos lúdicos aqueles em que passeia pelo seu bairro ou joga “Street Fighter” no salão de jogos do bairro. Tristán é um arquiteto que não se sente motivado pelo trabalho nem pelo casamento. Ele abandona tudo e volta para a casa da mãe. No caminho é vítima de assaltantes que levam sua mala com documentos, isqueiro, cigarros, fotografias e o IPod. Cristina encontra a mala que contém estes objetos, sente um entusiasmo e uma curiosidade que a encorajam a seguir e tentar conhecer o seu dono na esperança de que o seu dia-a-dia se torne menos solitário e rotineiro.
Comparada a Hal Hartley e Sofia Copolla, a diretora Alicia Scherson apresenta uma obra modesta, pontuada por ocasionais singularidades, caso do interessante recurso ao som e dos jogos temporais da narrativa, oferecendo um trabalho formal inventivo e despretensioso. Segundo Scherson, PLAY é um conto de fadas urbano e, através das aventuras da Cristina, proponho novas questões sobre a identidade na América Latina. Penso que só a ficção tem o poder para abordar um assunto como este sem dar respostas simples e dogmáticas, mas antes abraçando-o levemente, com toda a sua complexidade e até, eventualmente, sendo capaz de gerar um novo espaço para reflexão e discussão.

Visite o site de Play, e escute as músicas que embalam a ficção chilena.

Mostra de Longas Mercosul
Teatro Ademir Rosa, no CIC
PLAY, de Alicia Scherson
dia 03– domingo, 21H

As paisagens urbanas de Pedro MC

Pedro MC, diretor do vídeo Paisagem Urbana, visitou a sala de imprensa do FAM 2007. O cineasta conversou com Marco Martins e Loli Menezes sobre o documentário que foi realizado através do Prêmio Armando Carreirão, do Funcine, e é o destaque da Mostra de Vídeos Mercosul na tarde desse domigo.


Paisagem Urbana, Florianópolis sob o olhar de MC

MARCO: Pedro, algumas palavras sobre o “Paisagem Urbana”…

PEDRO: O “Paisagem Urbana” é um documentário sobre Florianópolis. A pergunta que me fazem é porque filmei somente no centro da cidade. Isto remete a história de minha própria família. O pressuposto básico do documentário é: quero saber quem eu sou? Por que eu nasci em Florianópolis? Por que eu tenho esse sentimento com relação à cidade? Daí vou descobrir: meus antepassados são portugueses, alemães, italianos, judeus e negros. Ou seja, eu sou uma mistura de quase todas as etnias que vieram para Santa Catarina. Minha família vem toda daquela região que dava para o mar, na rua Tiradentes. Eu fiz um retalho audiovisual. Eu caminhei pela cidade buscando as imagens, que são as mesmas imagens que meu avô e meu bisavô viram. Existe uma remanescência aqui na cidade de coisas antigas. O projeto tinha uma estrutura narrativa toda pautada, toda a sequência tinha um título, tipo vestígios, tinha toda uma estruturação. Eu fiz o projeto pra ganhar. Um dia eu estava filmando, no dia do meu aniversário, e de repente senti uma vertigem. Quando eu percebi tinha um monte de gente à minha volta, perguntando: “O que estais fazendo?”, e eu disse: “Gravando. Está vendo ali aquela fachada, aquela casa?”, e eles: “Que casa, cara? Tais gravando o quê?” As pessoas não enxergam que as fachadas das casas antigas são o grande patrimônio que a gente têm na cidade. Não são as praias. É a nossa arquitetura. E eu não sou saudosista.


O papo entre os três realizadores na madrugada do FAM


LOLI: Não me diz que tu não é saudosista. Se tu não fosse tu não teria feito esse filme.

PEDRO: Ao contrário. Eu me baseio muito no Mishima, o poeta japonês. Ele é do clã de samurais. Ele não é saudosista do passado. Ele pensava no Japão no futuro. A tradição não é o fim do crescimento, do progresso. Uma coisa não anula a outra. Não é um saudosismo piegas.

MARCO: Um saudosismo melancólico… que está presente no filme.

PEDRO: A melancolia aparece porque é um sentimento que eu tenho por ter nascido na ilha. Eu sempre olho para o mar e é uma coisa que o Fernando Pessoa escreveu: é a maior tristeza. É um sentimento existencial. É um sentimento que eu quis passar neste filme. Nesse dia do meu aniversário eu estava na frente da casa onde nasceu a minha mãe. Daí eu pensei: “Eu não vou fazer um documentário seqüenciado, bonitinho, com narração em of falando com os especialistas. Que se f… todo mundo! Eu vou fazer o que eu quero fazer!” E a partir dali mudou completamente o documentário. Eu estava na metade da produção e eu fui para outro caminho. Foi completamente experimental. Eu quis trabalhar com o ruído. Eu não fiz nenhum travelling, eu quis trabalhar com a câmera solta. O “Paisagem Urbana” é um recorte do meu olhar sobre a ilha de Santa Catarina. Dentro da minha pesquisa eu mergulhei na obra do Ítalo Calvino, o livro “Cidades Invisíveis”é maravilhoso. E a cidade é um tema que eu vou perseguir na minha obra.



Árvore Solitária, o filme convidado da Mostra de Vídeos

Letícia Friedrich falou sobre seu curta 16 mm, outra atração da tarde desse domigo no FAM:

Árvore Solitária é meu trabalho de conclusão do Curso de Cinema e Vídeo da Unisul. Foi a minha primeira experiência como diretora e roteirista Pensei nele como um desafio, se é hora pra errar é agora. Aproveitando o apoio dos professores e colegas, eu quis aprender com esse desafio e fiz o trabalho em película, porque achei que isso ia contribuir pra estética e pra linguagem do filme. Resolvi também trazer um ator conhecido, de fora da região sul, que é o Chico Diaz. Um ator em que eu sempre tinha pensado pro papel e numa brincadeira com o produtor do filme, citamos o nome dele, o procuramos e ele acabou topando. Aprendi muito com ele, porque ele veio muito a fim de trabalhar, e isso me surpreendeu bastante, porque jamais imaginei que um ator com a experiência dele resolvesse vir pra Florianópolis fazer um filme de conclusão de curso e contribuir tanto pra história. O roteiro é inspirado em Leon Tolstoi. Conta três histórias que se entrelaçam: a de um homem, uma criança doente e uma árvore solitária. Me inspirei no cinema de Tarkovski, especialmente O Sacrifício, e também nos filme de Abbas Kiarostami. É um filme sem diálogos, com um profundo caráter simbólico.

Mostra de Vídeos do Mercosul
Teatro Ademir Rosa, o CIC

16h:30min

Domingo sem tédio

Nada para fazer? O FAM tem a solução

Sai sábado, entra domingo e o FAM 2007 não pára - continua a todo vapor para receber no CIC o público que vai aproveitar o dia de descanso e acompanhar gratuitamente as mostras de filmes e os painéis de debate.

A Mostra Infanto-Juvenil inicia os trabalhos do domingo logo às 10 horas da manhã. Em seguida, às 14 horas, a Mostra Extra-FAM exibe o documentário Porto Alegre, Meu Canto no Mundo, de Cícero Aragon e Jaime Lerner, no Teatro Ademir Rosa.

Às 15 horas, o segundo painel do Fórum Audiovisual Mercosul recebe jornalistas dos principais sites de cinema do Brasil para conversar sobre a crítica de cinema na Internet na Academia Catarinense de Letras.


Play, filme chileno de Alicia Scherson, na Mostra de Longas do Mercosul

O segundo dia da Mostra de Vídeos do Mercosul exibe sete produções a partir das 16h30, no Teatro Ademir Rosa. O público pode escolher a sua preferida após a sessão para a votação do Prêmio Júri Popular.

Logo após a apresentação da Banda Musical União Josefense no vão da rampa do teatro, a segunda sessão da Mostra de Curtas Mercosul prossegue com cinco filmes – quatro brasileiros e um argentino – e o mesmo sistema de voto popular.

Encerra o terceiro dia do FAM 2007 o premiado longa-metragem chileno Play, de Alicia Scherson. Trama com elementos de drama e comédia, Play é um “conto de fadas urbano”, segundo a própria diretora. Em exibição a partir das 21 horas, durante a Mostra de Longas Mercosul no Teatro Ademir Rosa.

Baixe aqui a programação completa do FAM 2007, através do badongo.com, acompanhe nossas postagens durante o dia e curta cinema no FAM

Público aproveita cinema de graça

Início das mostras competitivas atrai legião de cinéfilos ao CIC


Os dois primeiros dias do FAM 2007 reuniram milhares de pessoas no CIC para acompanhar as discussões dos fóruns e os filmes do festival. O sábado foi muito agitado durante todo o dia - foram abertos os painéis de debate e as mostras infantil, de vídeos e curtas, além da Extra-FAM, que destacou o documentário Hércules 56, de Silvio Da-Rin, com direito a debate com o diretor após a sessão.

A mostra infantil espera maior público durante a semana, com a visita das escolas. Mas já na sua abertura, na manhã de sábado, um grupo de aproximadamente 50 crianças assistiu a 10 filmes de menor duração e aproveitou a distribuição de pipoca grátis. Adultos também prestigiaram a sessão, entre eles os diretores das produções catarinenses exibidas para a garotada.

À tarde, a mostra de vídeos empolgou o público de aproximadamente 400 espectadores no Teatro Ademir Rosa com nove produções de vários estados brasileiros e da Argentina. E no início da noite, muita movimentação na abertura da mostra de curtas 35mm – o público aproveitou o sábado e a entrada franca para lotar a sala.

A platéia se mostrou animada, interagindo entre si no intervalo dos filmes. Na saída da sessão, três computadores registravam a opinião do público sobre os vídeos e curtas exibidos. Os mais votados receberão o Prêmio Júri Popular.


Encerrou a noite o longa argentino Luz de Invierno, de Alejandro Arroz. O público que compareceu desde cedo nas mostras competitivas permaneceu no festival para prestigiar o elogiado filme, que une três histórias em torno da problemática social do interior da Argentina.